sexta-feira, 10 de abril de 2015

Kultme 16 - Homens, homens, homens, homens!



Homens, homens, homens, homens!


teatro
No Teatro grego, o homem era o responsável pelo espetáculo que representava, seja o personagem masculino ou feminino. Tinha, a seu favor, máscaras. Esta invenção cênica foi capaz de supervalorizar a função do ator-homem enquanto personagem feminino. Até que uma certa atriz resolveu romper essa barreira e pisar no palco como mulher. Estava dada a parceria que os homens precisavam. Não há disputa, não é um quiz-show homens x mulheres. É parceria! É história do teatro.
Os personagens masculinos que permeiam as histórias dramatúrgicas são quase infinitos. Instigam nossa imaginação e os vislumbramos com coloridos diferentes. Um Macbeth nas mãos de Lady Macbeth, dois amigos perdidos numa noite suja, na redação de um jornal homens se divertem pelas mãos de Nelson Rodrigues, a macheza exacerbada de Stanley de Tennessee Willians, a deliciosa imaginação de Dom Quixote de la Mancha, o Veludo de Plínio Marcos com sua áspera delicadeza, entre milhões de personagens masculinos já tomaram corpo e forma de atores deste mundão enorme que conhecemos.
brandoEu, enquanto ator, tive experiências impressionantes quando entrei em contato com esses personagens-homens. Quando se pensa que sabemos muito, não sabemos nada ou quase nada. Por isso que estudar sempre (eu disse sempre) vale a pena! No ofício belo e instigador (e não tão fácil assim) de ser ator, estudar é a ferramenta número 1, pois os personagens dentro de você só pedirão passagem quando você deixar eles dialogarem contigo, seja ele homem, mulher, bicho, uma árvore. Lembro-me muito bem que na escola técnica alunos-atores homens diziam (quando eram premiados com personagens masculinos): “Ah é moleza, difícil é fazer mulher!” Mal sabiam que a dificuldade é a mesma. Pensava: “Deus tá vendo!”.
A bem da verdade, a arte do ator/atriz não tem a ver com sermos homem ou mulher. Tem a ver com a disponibilidade da vida que deixamos fluir dentro de nós, deixar os personagens usarem e abusarem do seu corpo em prol de uma boa história. Não é “cavalo”. É teatro. É técnica! É estudo! É humildade e sabedoria.
cateMulheres também podem interpretar personagens masculinos. Não há regras quanto a isso. Direitos iguais. Se os homens divertem e fazem chorar com saias e balangandãs, mulheres podem fazer chorar e rir com homens dramatúrgicos. Lembro-me de ver a atriz Juliana Galdino, em Comunicação à uma academia, de Roberto Alvim, onde interpretava um macaco convertido em humano. Era um primor! O ator Paulo Gustavo usa e abusa dos personagens femininos transformando em riso sua arte. É a arte da transformação interna. O cinema também explora muito essa vertente. Cito Tilda Swinton em “Orlando” e Cate Blanchet em “Não estou lá”, vivendo um Bob Dylan incrível.
Na realidade, leitores, é que não deve haver diferença intelectual com “traços de supremacia” entre homem e mulher no teatro, muito menos fora dele. As diferenças se complementam. O que existem são características físicas do ator ou personagem que favorecem este ou aquele ator/atriz.
Teatro não é ringue. Teatro é uma colcha de retalhos que se constrói para esquentar a alma numa noite fria de verão.
Homens, vamos ao jogo! Mulheres, vamos ao jogo! Que o resultado, com certeza, será delicioso.
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Indicação
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  • Livro para ler: Macbeth, de William Shakespearemacbeth
O Rei Duncan tem altos préstimos pelo general escocês Macbeth. Certo dia, ele e Banquo, outro general, são abordados por três bruxas, que fazem as seguintes previsões: Macbeth será rei; Banquo é menos importante, mas mais pode­roso que Macbeth; e os filhos de Banquo serão reis. Macbeth não compreende as confusas palavras das aparições, mas elas calam fundo dentro de si. Ele relata o estranho encontro para a mulher, Lady Macbeth – uma das mais perfeitas vilãs da lite­ratura –que, ambiciosa, exerce seu poder sobre o marido, levando-o a cometer o gesto fatal de traição ao rei que desencadeará a tragédia dos dois e uma reviravolta na corte.


Kultme 15 - Mulheres, mulheres, mulheres, mulheres!


Mulheres, Mulheres, Mulheres, Mulheres!


Por Admir Calazans *
No mês das mulheres, o tema é a mulher. A mulher no teatro.
teatro gregoLá nos tempos do Teatro Grego, a mulher não tinha o direito de ser atriz, era substituída por atores masculinos de plantão. As mulheres de Ésquilo, Aristófanes, Eurípedes e muitas outras ganhavam forças nas máscaras usados pelos atores. Reflexo de uma época. O teatro caminha junto com a época e é capaz de interpretá-lo, recriá-lo e proporcionar ensinamento para nós. Os Homens desdobravam-se entre eles e elas. E as atrizes nem no palco chegavam. O tempo mudou! Ainda bem!
Certa vez, uma corajosa atriz francesa – Therese du Parc (La Champsmele) – ganhou notoriedade por ser a primeira mulher a pisar num palco como atriz. Integrante da trupe de Mólière, se aventurou na trupe de Racine e carrega consigo o título de primeira mulher – atriz – que interpretou Fedra. Ela abriu caminhos.
blancheO fato é que, a mulher, historicamente, foi sempre a segunda a vir. Não me joguem pedras, só estou contextualizando. Se pegarmos Nora – (Casa de Bonecas – Ibsen), Medéia – (Eurípedes), Ofélia e Gertrudes – (Hamlet), Blanche (Tennesse Willians) temos alguns exemplos de como esses personagens tinham que lutar para tornar sua cidadania mais completa e os seus pensamentos mais engatilhados em suas veias. Defendiam com unhas e dentes seus propósitos de amor, traição virtudes, subserviência ou simplesmente ser mulher. Era uma verdadeira epopeia. Personagens, na maioria, são retratos de uma época social. O começo nunca foi fácil, o meio foi mais descobridor, o término é infinito mas recheado de mistérios, erros e acertos.
Graças à essas pérolas – as personagens mulheres – nós temos o privilégio de termos atrizes com percepção aguçada e emoção esvaindo do esterno para o corpo afim de nos tirarem da zona de conforto (que aliás é a maior causa da preguiça exacerbada), e nos fazer pensar sobre o homem. E não precisa estar num teatro gigantesco para isso. Já viajei na história de um personagem de teatro de rua e fiquei de quatro.
O Teatro sempre teve muitos personagens para a mulher/atriz deleitar-se a gosto. Só para citar algumas: Desdêmona (Otelo), Lady Macbeth (Macbeth), Neusa Sueli (Navalha na carne), Fedra (Racine), Blanche DuBois e Stella (Um bonde chamado desejo), Alaíde (Vestido de Noiva), Solteirona (No natal a gente vem te buscar), Joana (Gota d’água), Tereza Carrar (Os fuzis da senhora Carrar), Nina (A Gaivota), dentre tantas outras que não lembrei para escrever aqui. Ah, e os homens-atores também podem aventurar-se a vestir esses personagens. Vale a concepção da encenação. Essa é a democracia teatral!
cacildaEntre “Marílias, Fernandas, Cleydes, Cacildas, Ruths, Glórias, Lauras, Bibis, Terezas, Dinas, Zezés, Nathalias, Dercys, Marias, Tônias, Déborahs, Denises, Dricas”, nós, os espectadores temos que agradecer a Dionísio quando estamos na plateia de mulheres que emocionam, que são capazes de perambular e viver entre o amor e a loucura de Ofélia, as sagacidades de Lady Macbeth, o quase desamor de Blanche DuBois, a simpatia de Pérola, de Mauro Rasi.
Esse nosso país é um tesouro cênico porque a riqueza é tão infinita que não dá para colocar num papel, os milhares de trabalhos femininos que eu já tive a oportunidade de ver e emocionar. A mulher, com sua capacidade de “sobreolhar” é mola propulsora desse fazer teatral. E isso porque nem me ative as diretoras, dramaturgas, técnicas, operacionais. O mês de março não é nada perante os outros meses em que elas se mantêm, lindas, guerreiras, firmes, mães, filhas, íntegras, emocionantes, mulheres. O mês de março é a simbologia de um ano inteiro.
Vivam as mulheres! Vivam e nos ensinem que amar sempre vale a pena!

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  • Livro para ler: Lisístrata – A Guerra do sexo, de Aristófaneslisistrata
A fim de minimizar as agruras da guerra, as mulheres gregas, lideradas por Lisístrata resolvem fazer greve dos deveres do casamento aos seus maridos. Agindo assim, exigem um acordo de paz.
Lisístrata é um retrato de seu tempo e da civilização ocidental. Um retrato bem-humorado, no entanto: inversões de papéis e situações absurdas e carnavalizadas marcam o texto. Nas entrelinhas desta obra-prima do pai da comédia, o que se vê é a discussão de temas tão sérios quanto atuais, como o a paz e a democracia, o amor à pátria e o preço da guerra. Escrita na época em que as mulheres não subiam ao palco.

Kultme 14 - Panis et circenses



Panis et circenses


Em tempos de crise, envolver-nos em assuntos medíocres e dar crédito as cabeças nada pensantes parece ser um objetivo fielmente perseguido por muitos.
rainhaEm meio a tonalidade de um vestido imbecil e o impasse para saber quem é o vilão da novela mequetrefe, encontramos a queda, no show, de Madonna. Isso mesmo! A Rainha do Pop caiu no show! Oh! Que importante! Oh, meu Deus, o que será do mundo artístico de agora em diante? Oh, alguém vai pagar por isso. Chamem a Rainha de Copas de Alice no país das Maravilhas e ordenem: “Cortem-lhe a cabeça!”.
Santo prognóstico babaca e cru! O palco e o show nunca é totalmente seguro. Quem deve levantar o Oscar de Segurança nessa hora é o artista/ator. E isso, Madonna fez, mesmo tendo machucado a cabeça. E ninguém comentou. Melhor é apontar o indicador e dar um milhão de risadas e compartilhadas. Viva o circo! Panis et circenses. Estamos voltando aos gladiadores romanos?
hamletEu mesmo tenho esquecimento de marcas e textos no meu currículo. Conheço gente que já comeu metade do texto de Hamlet, caiu do palco, entrou seminu porque não achou o figurino. Certa vez, em Hamlet, saí do palco e quando entrei na coxia, vejo uma atriz chorando copiosamente. O que foi? Perguntei. Sumiram (?) com o crânio do Hamlet! (Ela que tinha que cuidar do acessório) E danou-se a chorar! Com muita calma nessa hora, infiltrei-me por todos os lugares que ali poderia existir e enxerguei, lá longe, debaixo do palco, o bonito crânio de Yorick, não de Hamlet bonita atriz! Peguei. Do choro ao riso, ela entrou em cena e tudo desenrolou como combinado. Cadê a sua segurança dona atriz?
O palco, esse nosso maior aliado, está ali ao nosso dispor, mas alguém pode esquecer-se de dar um nó falso para soltar o casaco, não é Madonna? O que fazer? Cair e levantar majestosamente e seguir com o espetáculo. Deixe o mico para quem ainda gosta do riso fácil e o riso para a reunião de equipe na sala de estar ou no bar e na memória dos anos seguintes. O que importa é que o show não deve parar!
FUNDAÇÃO DAS ARTES TERÁ NOME DE ATOR FOTOS DO PALCO VAZIOO palco é onde estão expressos os nossos sentimentos, nossos olhares, nossas expressões, nossa criação, nossa criatividade, nosso ego, nossos amores, nosso descaso, nossas brigas, nossas peles, nossos membros, nossos ossos. É nele que vivemos uma história. É sagrado! Ele embala os nossos rituais. Eu tenho o palco como companheiro. Tenho imenso respeito! Por isso que, quando, algo dá errado, é meu dever sair por cima. É o imprevisto jogando com o programado. Por isso Madonna, eu não te aponto, eu te aplaudo.
E nós devemos repensar Panis ET circenses? Fica a cargo do nosso palco pessoal – o pensamento! Ele é nosso amigo.
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  • Livro para ler: Grupos Teatrais – Anos 70, de Silvia Fernandes
livroLivro de pesquisa de Silvia Fernandes, onde expõe a contribuição de importantes grupos teatrais no Brasil na década de 70, como Asdrúbal trouxe o trombone, Pod Minoga, Ventoforte, entre outros. O suporte documental em que se baseia a obra nos proporciona entender o que esses grupos pensavam nos seus processos de criação e suas relações com o palco.


Kultme 13 - É preciso não ser preciso



É preciso não ser preciso


“As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo!” (Criolo)
Essa frase da música do Criolo me inspira demais quando estou no processo de criação teatral.
Drama and comedyTeatro é a arte da vida. Representação, interpretação, solidificação, desvirtualização, virtualização, imaginação, amarração, “pop-ularização”, “elite-zação” das ações das pessoas e da vida. Seja qual for o entendimento que você assume para a arte do teatro, as pessoas estarão lá: diretor, elenco, técnicos, público, produtor, amigos e agregados. É um trabalho feito de pessoas , por pessoas e para pessoas. Cuidado! Hoje em dia tem teatro feito para benefício próprio, alimentador de conta bancária, ego e amostra grátis. As pessoas não são más, elas só estão perdidas? Ainda há tempo?
Há!
É preciso amar o teatro com sabedoria! Não dá pra amar o teatro porque é lindo ser ator. É preciso entender o processo, o caminho. É preciso deixar de acreditar que você é o máximo! Que tudo mundo gosta de você e daí você vai fazer uma peça e todo mundo vai ir. É precisoteatro 2não acreditar no dinheiro somente. É preciso levar as dúvidas para casa e transformá-las em ação ou argumentação, com propriedade. É preciso não ser preciso quando necessário. É preciso não ser maior que o próprio ego. É preciso usar o ego. É preciso perceber que você é uma pessoa. É preciso saber que você é uma pessoa em prol de outras pessoas. É preciso amar o teatro porque ele te escolheu como filho. É preciso aproveitar as fraquezas. É preciso não ser o cara! É preciso dialogar: com os outros e consigo mesmo. É preciso acreditar no dramaturgo. É preciso ouvir os atores. É preciso saber que o diretor é o diretor. É preciso não contar com o ovo no cú da galinha. É preciso não viajar na maionese se nem espaço para ensaio você tem. É preciso pensar que não pensar no teatro, desopila o fígado. É preciso não “SER DO TIATRO”. É preciso distanciar para entender e aproximar para atingir. É preciso acreditar que as pessoas não são más, elas só estão perdidas, que o tempo é nosso amigo e a preguiça mental é nossa maior inimiga.
atorNão sou eu que escolho o Teatro, é ele quem me escolhe. Eu não o uso. Ele que abusa de mim, provocando desordem na razão, instigando a emoção e a imaginação e batendo tudo no liquidificador cerebral para que a operação não falhe e o público o receba com ar de transformação. Sou o meio, não o início e nem o fim.
É preciso……..gostar da vida…….para ….lidar…..com ela!

Indicação
  • Livro para ler: A Metamorfose, de Franz Kafkametamorfose
A metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Entrevista concedida ao blog espetacularescomthiagosantos





terça-feira, 27 de janeiro de 2015


Espetacular Diretor e Ator, Admir Calazans




Sou suspeito para falar deste ser humano formidável. Por se tratar de uma pessoa a qual, conquistou toda a minha admiração, graças ao seu pensar refinado, e principalmente, amor por aquilo que faz...



 Admir Calazans -  "Dimi", é ator, diretor, produtor e professor  de teatro , arte educador, terapeuta corporal.





 T.S: “ Acredito que o próprio Universo, se rende diante daqueles que amam profundamente a arte do viver ”

“ Um dia comum, entediado por ficar em casa ouvindo rock'n roll na 97 FM, a rádio rock do ABC, resolvi ir ao teatro. Cheguei no Teatro Bela Vista para assistir a peça "Sades ou Noites Com os Professores Imorais", Cia Sátyros. Era inicio dos anos 90 e tinha mudado de casa e estava órfão dos meus melhores amigos: fui sozinho! Eu não acreditava no que aquele bando de atores estava causando em mim: uma certa vergonha e uma certa vontade de estar ali. Queria fazer parte daquela ousadia. Mas como fazer? Não tinha dinheiro nem pra comprar um ingresso pro Hollywood Rock. Fui estudar administração de empresas para ganhar dinheiro. Não ganhei. “




Formado pelo Teatro Escola Macunaíma em 2004. Pós-graduação em Artes Cênicas pela Faculdade Paulista de Artes em 2013.
T.S: “ Sou fã do A.C, por ver nele um desejo infinito em busca da evolução através do saber . ”“ Livros, revistas, peças, músicas, shows e o ano já era 2000. Por este mundo, só se falava do tal bug do milênio e eu preocupado em dar um sentido às minhas dúvidas. Já trabalhava num escritório e impulsionado pela memória de uma grande professora de artes do tempo de colégio e da lembrança da ousadia de "Sades...", me matriculei num curso técnico de teatro. Aquela vontade haveria de se tornar realidade. Se eu tenho uma qualidade, é essa: "Corro atrás do que quero e abraço o que consigo". “




Produtor executivo da Cia Cafonas & Bokomokos.


T.S: “ A existência humana não se resume as limitações. Pelo contrário, cabe ao mesmo dedicar-se naquilo que o faz exercer sua humanidade criativa. ”

  “ O Centro Cultural de São Paulo era meu lugar preferido e foi lá que encontrei o meu passaporte definitivo para o teatro. Um flyer me  encontrou e me levou de encontro a um cara que é primordial na minha formação de ator: Guilherme Vidal. "Faça um curso de teatro diferente - venha perder o medo do ridículo" dizia o flyer. Fiz o curso, fui convidado para fazer parte da Cia Cafonas & Bokomokos e lá conheci amigos incríveis, me especializei em teatro humor, vivi no palco diferentes personagens, fui homem, mulher, criança, chorei e ri. Foi com essa cia que fiz minha primeira estréia profissional com o espetáculo "O Clichê do Amor" (2000). Com eles tenho um repertório incrível de personagens e atuações, se transformaram na minha família teatral. Estou com eles até hoje. Me formei ator pela escola técnica em paralelo, estudei com muitos encenadores, grupos e técnicos, embasando meus conhecimentos e me dando força e sabedoria para ensinar alunos, depois da minha pós-graduação em Artes Cênicas ser concretizada em 2014. “



   Diretor do espetáculo Panos & Lendas, de Vladmir Capella, em 2013, com supervisão de Cibele Troyano.

 “ Não tem nada que me faça mais feliz e realizado do que estar num processo de criação teatral, seja como ator ou diretor. Com todos os percalços pertinentes. É um belo trabalho de artesão. Cada dificuldade se transforma numa vontade de descoberta que pode levar à criação ou não. Muitas dificuldades permeiam o caminho do ator: desde a falta de grana, o estudo para personagem que pode deixar a gente maluco, relações com atores e equipe, a relação família x trabalho, coisas que ouvimos e não deglutimos. Eu já saí, muitas vezes, chateado ou triste de um ensaio, por ter ouvido coisas que não gostei. Entro no carro ou no trem e coloco uma música. Reflito.Sorrio.Aprendo. e no outro dia tô lindão de novo. Faz parte da máquina Teatro. “


Colaborador fixo do site Kultme.com.br, versando sobre teatro.





 T.S: Consegue imaginar como seria viver num “Apocalipse Climático " ?
 Admir Calazans: A imaginação nos leva a qualquer ousadia! O efeito de um desequilíbrio climático que altera as temperaturas, aquecendo ou esfriando, é um assunto moderno que se debate em qualquer mesa de bar. Isso que é importante, porque traz o pensamento, a discussão para o nosso Mundo, para o globo terrestre e suas funções. Quem somos? Por que isso ocorre?
Acontece que, viver nesse "apocalipse climático", nos impulsionaria a criar soluções para esses chamados problemas. O mundo sofreria, mas encontraria soluções. Acho pertinente salientar aqui, se muitas das causas dessas mudanças climáticas, não estão associadas ao poder deste Homem, que, ao mesmo tempo em que equilibra, desequilibra impiedosamente.



 T.S: Um "caráter desvirtuado "  consegue se redimir  através da arte?
 Admir Calazans: Quando fazia teatro escola, tinha alguns amigos faziam teatro como terapia. Eu achava aquilo estranhíssimo! Não entendia aquilo. Acredito na arte como um poder transformador do “olhar” sobre as possibilidades, como uma fonte para a reflexão múltipla, que, consequentemente, trará novas ações. Como uma técnica de redenção de males sofridos durante a passagem humana da criança-adolescência-adulto, eu tenho lá minhas dúvidas. Vejo a arte como um instrumento capaz de auxiliar nesse processo e isso varia de situação para situação. Nesse assunto a arte é complemento e não alternativa.





 T.S: “ A.C, transmite ao mundo, toda uma máxima expressiva, sentindo-se orgulhoso com a própria vida por lhe proporcionar a chance de viver em prol da arte. ”
 “ Em 2014, tive minhas primeiras experiência com a Sétima Arte, e a experiência é sedutora, encantadora e árdua. Ela nos direciona diferente, nos faz presente, trabalha no mínimo externamente e no grande internamente e nos aproxima aos técnicos como irmãos.


 Já participou dos seguintes espetáculos: O Mahabharata, Hamlet, Siga-me!, O Bumerangue do Amor, Navalha na Carne, Apresentação de Existências, A Sorte do personagem, Quero um filho teu!, Alem do Constrangedor, Expresso Hamlet, As 3 Patetas, O clichê do Amor, A mulher perdeu a pose, Shake à go go, Vereda da Salvação, Aurora da minha vida, Suburbano Coração, Do Alto do seu Encanto, entre outros.



 “ Uma vez a atriz Débora Bloch disse: "Teatro é perseverar". Eu tô com ela, mas completaria: "Teatro é perseverar e apaixonar-se"

 Professor adjunto dos cursos de Teatro Humor, realizado por Guilherme Vidal desde 2005.



         " 2015. Tempos novos,

            Novos planos, novos encantos, novas ações, novas conquistas.

            Novos sonhos!
            Novos nossos velhos sonhos... “



 Senhores, hoje, lhes trouxe, ele, Espetacular Admir Calazans!

Contato: Admir Calazans (Dimi)  billybrazuca18@yahoo.com.br

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Entrevista concedida Gazeta da semana - Nov/2014

Admir Calazans

Diretor, Produtor e Ator

Thiago Santos
Apresento o Brilhante e Carismático Admir Calazans

 Thiago Santos: Quem é o artista em você?
 Admir Calazans: O artista é aquele ser múltiplo e que enxerga multiplicidade em tudo. O artista em mim está no olhar. Não enxergo tudo da primeira vez. Para mim, apurar o olhar é aprimorar o meu conhecimento e quanto maior esse conhecimento, maior o artista, arteiro, artesão, em mim. Entenda-se que este olhar não tem a ver com habilidades. Posso enxergar o teatro musical, porém não tenho a habilidade que ele precisa para ser feito. Para me habilitar conto com estudo e dom próprio. Para enxergar conto com alma e sensibilidade, além do estudo que necessariamente não precisa ser livro. Este é o maior entrave com o ego do artista. E outra, é preciso aceitar que não sabe e potencializar o que sabe. Esse olhar está em mim.

 T.S: Quando tocado por este mundo fantástico que é o da arte. Lembra o que sentiu no primeiro momento?
 A.C: Essa história é antiga. Tinha, na época do colégio, uma professora de Educação Artística – Professora Nanci, que nos estimulava (os alunos) a sermos artistas. “E ser artista no nosso convívio...” Fazíamos desde escultura em Sabão em pedra, lápis, giz, pintura em garrafa, desenhos e Teatro. Lembro-me de um, que era instigado somente por cores, éramos estimulados a ler, acredito que esses professores da minha época, usavam a sala de professores para combinar técnicas e não falar da vida alheia. Ler não era passatempo, era estudo. Daí que o interesse vem. Essa mesma professora Nanci, foi quem plantou em mim, esse lado da exposição que o teatro nos força a ter. Era extremamente tímido, mas igualmente entusiasmado. Acredito que fui tocado aí, porque eu nunca me esqueci dessas aulas. Ainda é um refresco pra mim. Depois tive outra professora Raquel, que adora Premeditando o Breque, o grupo. Encantei-me com esse despropósito acadêmico (risos).  Comecei a ouvir música alternativa.
 Depois veio a fase da juventude e o teatro continuou agora como espectador. Ia bastante ao teatro, quando dava, porque não tinha grana. Lembro que certa vez, já com mais ou menos 18 anos, fui assistir, sozinho, uma peça no bairro do Bexiga, no Teatro Bela Vista, em São Paulo intitulada “Sades, ou noites com os professores Imorais”, da então desconhecida Cia Os Sátyros. Apaixonei de cara! Era baseado em Marques de Sade. Fiquei louco para fazer aquilo, para estar ali, pela curiosidade do processo, de como aqueles atores conseguiram fazer o espetáculo, de me enroscar com eles. Eu senti uma vontade ardente no peito. Demorou muito ainda para começar a estudar teatro, eu tinha que me dedicar a minha carreira acadêmica e isso distanciava muito. Fui estudar teatro em 2000.


 T.S: Descreva quais sentimentos lhe veio em mente ao receber em mãos o roteiro contendo o seu primeiro personagem!
 A.C: Quando em 2000 entrei para a escola técnica. Eu já estava picado pelo tal bichinho do teatro. Comecei a enveredar por alguns cursos durante a semana e no final de semana cursava o técnico. Antes mesmo de fazer minha primeira estreia pela escola, estreei com a Cia. Cafonas & Bokomokos, da qual faço parte há 14 anos. Meu primeiro personagem era uma série deles, no espetáculo O clichê do Amor, onde seis atores se revezavam para viverem múltiplos personagens. Medo, entusiasmo, carinho, receio, trabalhar com a frustração, com a empolgação foram esses os sentimentos que encarei quando recebi esses roteiros. Daí pra estreia e temporada, foram só descobertas do que ampliar e do que reduzir e do que completar. Personagem é isso: Um presente ofertado e bem embrulhado. O que é dele está em cada camada do embrulho.
 Quando recebi o meu primeiro roteiro de curta metragem, eu pirei! É diferente, sei lá. Difícil de explicar. Charlinho Júnior era um bandido do bem, um Zé Mané que nem sabia roubar direito a ponto de se envolver em prol de suas vítimas. “Cupido”, dirigido por Luan Cardoso dentro do Média metragem “Críticos Momentos”, foi a minha oportunidade de me ver na telona. Adorei fazer, me envolver no processo. Depois dele, fiz mais dois curtas: “Feito a Mão”, dirigido Por Larissa Alvanhan e Natascha Goldmann, que deve estrear em Dezembro/2014 e “Identidades”, dirigido pelo querido parceiro da Quixó Produções, Luan Cardoso.  Além de que, me despertou para escrever roteiros de curta metragem. Já tenho dois: “Táxi” e “Pelo olhar”.


 T.S: Em todos esses anos dedicando o seu tempo e amor em prol daquilo que lhe faz tão bem. Compensa o seu viver de que forma?
 A.C: Vivo intensamente cada momento da minha passagem por essas bandas de cá! Eu gosto muito de jogar voleibol, queria ter todas as minhas potencialidades físicas para poder suprir essa atividade física que me faz tão bem e que me recarrega para outras coisas, mas corpo físico é uma coisa que tem que se cuidar desde pequeno. Uma perna insiste em querer me desestimular. Mas sou guerreiro e não abaixo minha lança. Adoro transformar os improvisos dos meus alunos em texto, em cenas. Isso é um exercício para minha criação.  Curto fazer adaptações de textos para o teatro. Tenho uma adaptação linda de Drácula, de Bram Stoker e outra do livro Fogo nas Entranhas, de Pedro Almodóvar. Já fiz várias. Estou começando a escrever dramaturgicamente. Estou empolgado nisso agora.
 Gosto de namorar, beijar, fazer sexo, assistir espetáculos, shows, arte! Essa opção boa que a vida nos proporciona, não dá para negar. Ah, e adoro não fazer nada também. Lembro sempre de uma inspiração para mim – Mirtes Calheiros (da Cia Artesãos do Corpo) – que dizia “Todos precisamos ter nossos momentos de ócio”. Levo a ferro e fogo. Aliás, sou dorminhoco.
 Vou a espetáculos teatrais quando o bolso permite, não sou daqueles atores que grudam para conseguir ingresso de graça. Sou tímido para isso. São Paulo é a maior capital de teatro do mundo. Tem para todos os gostos.
 E isso, recarrega minhas energias!
 Ah, e adoro falar!


 T.S :  Você é componente de algumas companhias de teatro?!
 A.C: Sim, atualmente estou fixo em duas Companhias de Teatro de São Paulo:
Cia. Cafonas & Bokomokos – Estou com eles desde 2000, foi lá minha estreia profissional no teatro. É a minha escola de teatro preferida. Com um repertório grande de mais ou menos 10 espetáculos, percorri muitos palcos da cidade, com espetáculos que permeiam o teatro-humor. Aprendi a fazer humor com eles – meus amigos – os carinhosamente chamados cafonas! O grupo já foi muito grande e atualmente está reduzido a poucas pessoas. São elas: Guilherme Vidal (diretor) um mestre, um mentor, Edgar Suzuki (Iluminador/criador), Marcos Garbelini, Luis de Osti, Paulo Affonso, Renato Lembo, Eu (Admir Calazans).
 Nosso último espetáculo “Expresso Hamlet”, adaptado de Hamlet de Shakespeare, transforma a tragédia do papa inglês em uma tragicomédia com a cara da Cia. Ficamos no início de 2014 em cartaz no Viga Espaço Cênico, com casa cheia todos os dias. É um Hamlet feito em cinco atores. Todos faziam os personagens, com exceção de Laertes e o Fantasma. Até Willian Shakespeare aparecia para questionar a montagem. Esse espetáculo é muito inteligente e divertido e deve ré estrear ano que vem aqui em São Paulo.
Cia Xifópagos – Estou com eles há dois anos. Fui diretor do último espetáculo da Cia. – “Do Alto do Seu Encanto”, de Valter Vanir, amigo que conheci por conta de “Navalha na Carne” no Fringe – Festival de Teatro de Curitiba em 2010 e também entrei como ator, quando da necessidade de substituir um ator.  Dirigir este espetáculo proporcionou ver a coisa de cima, um olhar de encenador, aguçou meu olhar além do horizonte.
 Atualmente, estou no processo de um espetáculo musical baseado na história de João e Maria, dirigido por Rick Conte. Estarei nesse projeto como assistente de direção e parte da produção de execução, de por a mão na massa.
 2015 promete ser um bom ano. Espero!
 Contatos das Cias:
http://www.ciaxifopagos.com                


 T.S : Fique à vontade e nos fale sobre os trabalhos em que você atuou e o que cada um deles acrescentou em sua carreira!
 A.C: No início de 2013, quando do início dos primeiros ensaios de “Expresso Hamlet”, recebemos a visita de Luan Cardoso, que inicialmente iria fazer a parte de filmagem do espetáculo, que teria inserções de vídeos gravados por nós para aquela peça. Foi o meu primeiro contato com esse jovem mestre do cinema – Luan Cardoso.
 Gravações feitas e graças a nossa onda de violência urbana, Luan foi assaltado e nosso material foi-se embora. Deve estar divertindo algum bandido por aí afora. A arte de Luan não entrou em Expresso Hamlet e eis que o danado me convida para fazer parte do elenco de “Identidades”, um curta metragem que ele estaria produzindo e dirigindo. Claro que aceitei! Como o cronograma estava adiantado e teríamos um tempão entre ficar parado e começar a gravar “Identidades”, Luan começou a articular “Críticos Momentos”, que era uma série de pequenos curtas que teriam como cerne aqueles momentos difíceis de descrever, baseados nos contos de Dani Molina. Surgia assim “Críticos Momentos”, composto por “Cupido, Cabelo, Telemarketing, Supermercado, A numeróloga, Semáforo”, todos dirigidos por diretores jovens. Fui convidado para fazer Charlinho Júnior, personagem de Cupido. Aceitei! Fazer o Charlinho me proporcionou conhecer de perto a Sétima arte, os entraves de externas, os quiproquós de locação, de elenco, de produção. A minha maior dificuldade é conter meu movimento, pois sou Yang total e tem que me amarrar para me conter! E cinema é menor no gesto, é mais preciso, é pequeno! Acessem: https://www.facebook.com/quixoproducoes
 Fiz também o Casting para “Críticos Momentos” e alguns atores do “Identidades”. Descobri uma faceta minha, que eu sempre acreditei, mas por ser um mercado muito restrito a entrada de quem não faz conchavos, nunca consegui entrar. Adoro trabalhar com Casting, tenho os meus amigos que conheço e são ótimos atores, mas não estão no olhar dos produtores, tenho amigos que me auxiliam nesse olhar para o ator. Tenho minha carteira de atores e atrizes e “não atores” excelentes atores. Faço meu casting a partir daí. Penso que: Se as pessoas passam por mim, alguma coisa eu devo aprender sobre ela.
 Acessem: https://www.youtube.com/watch?v=HXG-DwTRc_4
 No teatro, tenho uma série de personagens que me trouxeram sempre coisas muito positivas para meu trabalho. Já fui homem, mulher, criança, travesti, velho, macaco, entre tantos. Ressalto alguns: “A Sorte do personagem” onde me desdobrava em fazer Nenete, uma pequena e arteira criança de seis anos, filha de um abuso sexual do padrasto, mas de um humor incrível e Luiz Toledo, um diretor de novelas envolvido com duas magníficas mulheres, atrizes de sua novela. Saia de menina, e em um minuto era um Homem maduro. Loucura pouca é bobagem. Aprendi a colar cílios de olhos fechados em 10 segundos.
“Navalha na carne” – o meu Veludo tinha um quê de glamour decadente e uma acidez de macho. Era menina na cabeça e machão na força. Viajei muito com Navalha e sinto muitas saudades. Foi um marco para mim.
“O Mahabharata” – Duryodhana foi meu primeiro antagonista do mal. Era escola, mas era um personagem profissional para mim. Entendi a maldade no mundo e suas atribuições.
“Siga-me!” – Gilberto era um garoto que como eu, amava as pessoas. Apaixonado por Gabriela, uma linda ascensorista, vê seu amor morrer com o fechamento da loja de departamentos Mappin. Paralelo a isso, eles participavam de um concurso de dança na TV. Dançava muito com meu amigo Moisés Laurentino, que vivia magistralmente Gabriela. Nunca me diverti tanto em cena. Saudades eternas deste espetáculo.
 Já fiz muita coisa em teatro e a memória vai longe.
 Ainda escrevo sobre teatro no site Kultme. Um agregador cultural muito bacana. O Kultme é desses sites de internet que indica e repara que a arte é múltipla mesmo. Tem pra todo mundo e é de uma fineza! Adorei receber o convite pela talentosíssima Renata Bosco e quando sento para escrever, viajo!  Acessem: http://kultme.com.br/kt/


 T.S: Além de ator você também é diretor e produtor?
 A.C: Sempre tive uma curiosidade por processo de trabalho. O mais importante sempre foi o aprendizado. As apresentações são reflexos deste trabalho árduo, difícil, gostoso e representativo. A direção veio daí, dessa necessidade de proporcionar aos atores um maior crescimento, ao espectador um melhor espetáculo e para mim, uma maior dimensão do olhar. Trabalho com essas três vértices. Não dirijo para mim, dirijo para o coletivo.
Dirigi “Panos e Lendas” (FPA), “Do Alto do Seu Encanto” (Cia Xifópagos), O Baú (CEI Jd. Castelo) e diversas cenas teatrais pelos lugares por onde andei.
 Sou aquele diretor que procura instigar o ator a encontrar o caminho. Não gosto de mostrar esse caminho. Essa descoberta deve ser do ator, mas eu posso clarear indicando alguns atalhos. Sei bem o que quero e encaminho para aquele fim. Se no meio do caminho, sou surpreendido pelo feito do elenco, mudo sem problema algum. Mas deve haver surpresa. Trabalhei com “não atores” no espetáculo “O Baú” e a minha maior surpresa foi ver o elenco profissional que eu tinha.
 A produção de execução partiu do espetáculo “Do Alto do Seu Encanto”. Não tínhamos dinheiro e teríamos que achar soluções para fazer a coisa vir à tona. Não tenho problema algum de botar a mão na massa ou pedir emprestado algo. Na parte de contratos e editais, desenvolvi isso nas negociações do espetáculo Expresso Hamlet. Só posso dizer que levantar dinheiro para produzir algo é quase surreal neste país. Mas tem que ir avante, senão, o sistema te engole e você vai ser funcionário público cansado de guerra na terra onde os partidos políticos imperam mais do que a política.

 T.S: Quais sentimentos tomam o seu coração ao ver uma criança sorrindo em demonstração de alegria neste aprendizado fantástico proporcionado pela arte?
 A.C: Nunca tinha trabalhado com criança e adolescente no nível pedagógico. Há três meses venho desempenhando esse papel no Centro de Referência da Juventude e Centro de Convivência da criança e do adolescente na cidade de Embu das Artes e as descobertas são as maiores possíveis.
 Descobri que a criança é o termômetro entre a algazarra, o fazer, o brincar e a preguiça.  Criança gosta de brincar, não tem jeito, é o grau dela, entendem? Eu quando criança, não era cercado pela violência, tinha área livre. A criança de hoje não. A violência do cotidiano e a violência digital o mantém longe do clube, da rua, do parque. Quando essa criança chega ao núcleo que eu trabalho, no seu retrovisor, só se enxerga a palavra brincar. E isso não é errado. Eu, enquanto arte educador tenho a função de menear isso junto com a arte.
 Os pequenos quando resolvem brincar de ser ator, não tem pra ninguém. Ele não tem o racional tão definido quanto os atores adultos. Ainda não sofrem a crise do “ator”! E aí o sorriso toma conta deles e de mim. Fico feliz demais! Um sorriso meu em aula, me rejuvenesce a sabedoria. Já com os jovens, a coisa muda de figura. A juventude, hoje, está desacostumada a seguir regras e criam suas regras próprias. No teatro então, se a ordem é sair da zona de conforto, ela automaticamente vem seguida de “Não vou fazer professor!”. Quando um jovem ultrapassa essa barreira, novamente cresço internamente, aumenta meu entusiasmo. Minha função é potencializar esse jovem e mostrar a ele que dentro dele tem muito mais que sete vidas.
 Estou encantado com isso! Ah tem as partes que me aborrecem sim: preguiça, não de vontade de fazer, falta de vontade de pensar, não comprometimento, não ouvir, não falar, não querer se enxergar enquanto pessoa. Mas isso não apaga o meu sorriso.


 T.S: Para finalizar nos fale dos seus projetos atuais e futuro!
 A.C: 2014 acabando. Ano difícil: Copa do mundo, eleições, o tempo ficou menor com tanto tempo perdido. 2015 chegando, não vejo na prática, muita coisa mudando. O que precisa ser feito está em nossas mãos.
 Como projeto pessoal, quero montar um espetáculo como ator. Um espetáculo pequeno de no máximo dois atores, que verse sobre essa anulação da vida do roceiro, do rural, numa pegada totalmente “terra”. Um drama sertanista! Nada de piada com sotaque. Quero ser dirigido por alguém com essa propriedade.
“João e Maria”, da Cia. Xifópagos, (em processo) vai dar o que falar. Maio de 2015 é a nossa projeção de estreia. Estamos a todo vapor.
 Expresso Hamlet vai voltar. Gosto muito deste espetáculo e 2015 ele deve retornar com a corda toda e quem sabe viajar um pouco com ele.
 No cinema, o curta “Identidades” deve viajar os festivais e espero curtir com eles, alguns prêmios.
 Quero entrar num projeto de estudo em teatro. Como já disse, o processo me encanta muito e quero voltar a fazer isso enquanto ator. Na direção, espero encontrar algo e alguém disposto a acreditar naquilo que adoro fazer.
 Quero continuar com minha coluna no site kultme, versando sobre teatro.
 Nessa área de teatro, as vontades são muitas, as possibilidades variáveis e as concretizações mínimas. O que importa mesmo é não perder a fé!