Homens, homens, homens, homens!
No Teatro grego, o homem era o responsável pelo espetáculo que representava, seja o personagem masculino ou feminino. Tinha, a seu favor, máscaras. Esta invenção cênica foi capaz de supervalorizar a função do ator-homem enquanto personagem feminino. Até que uma certa atriz resolveu romper essa barreira e pisar no palco como mulher. Estava dada a parceria que os homens precisavam. Não há disputa, não é um quiz-show homens x mulheres. É parceria! É história do teatro.
Os personagens masculinos que permeiam as histórias dramatúrgicas são quase infinitos. Instigam nossa imaginação e os vislumbramos com coloridos diferentes. Um Macbeth nas mãos de Lady Macbeth, dois amigos perdidos numa noite suja, na redação de um jornal homens se divertem pelas mãos de Nelson Rodrigues, a macheza exacerbada de Stanley de Tennessee Willians, a deliciosa imaginação de Dom Quixote de la Mancha, o Veludo de Plínio Marcos com sua áspera delicadeza, entre milhões de personagens masculinos já tomaram corpo e forma de atores deste mundão enorme que conhecemos.
A bem da verdade, a arte do ator/atriz não tem a ver com sermos homem ou mulher. Tem a ver com a disponibilidade da vida que deixamos fluir dentro de nós, deixar os personagens usarem e abusarem do seu corpo em prol de uma boa história. Não é “cavalo”. É teatro. É técnica! É estudo! É humildade e sabedoria.
Na realidade, leitores, é que não deve haver diferença intelectual com “traços de supremacia” entre homem e mulher no teatro, muito menos fora dele. As diferenças se complementam. O que existem são características físicas do ator ou personagem que favorecem este ou aquele ator/atriz.
Teatro não é ringue. Teatro é uma colcha de retalhos que se constrói para esquentar a alma numa noite fria de verão.
Homens, vamos ao jogo! Mulheres, vamos ao jogo! Que o resultado, com certeza, será delicioso.
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Indicação
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O Rei Duncan tem altos préstimos pelo general escocês Macbeth. Certo dia, ele e Banquo, outro general, são abordados por três bruxas, que fazem as seguintes previsões: Macbeth será rei; Banquo é menos importante, mas mais poderoso que Macbeth; e os filhos de Banquo serão reis. Macbeth não compreende as confusas palavras das aparições, mas elas calam fundo dentro de si. Ele relata o estranho encontro para a mulher, Lady Macbeth – uma das mais perfeitas vilãs da literatura –que, ambiciosa, exerce seu poder sobre o marido, levando-o a cometer o gesto fatal de traição ao rei que desencadeará a tragédia dos dois e uma reviravolta na corte.