quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Diálogos Soltos - Gemada

"Não tem o que comer pra quem treina. Só batata doce e ovo. Cansado mano."
_Eu como! Quero ficar grande.
(Antes de "garfar" metade de um ovo cozido no exato momento que um "maromba" passa pelado)
Penso: A estranha mania de comer no vestiário produz o encontro dos ovos!

Poesia minha - Pina

Lá vem o guarda de trânsito sinalizando,
Como Pina ele nem sabe,
Cumpre sua função,
Acenando.
E eu vejo dança.

Diálogos Soltos - Pré carnaval

"Eu fiquei toda fodida, bebi pra caralho e nem consegui subir a escada. Queria dançar mas não via nada. No primeiro dia nao fiquei zoada: bebi pra caralho dancei, gritei, dei uns beijos num povo que eu nem sei de onde veio. Foi o maior legal!"
_ É?
Quando vi a mocinha, pensei: Tudo paia!

Poesia minha - Infortúnio

Sabe o biquinho?
Aquele do passarinho.
Humm...
Nunca nem prestou atenção no passarinho...
Tadinho.
De tu!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Conversas do cotidiano - Ativo ou passivo? Aplicativo!

Conversas do cotidiano
Ativo ou passivo? Aplicativo!
Duas mulheres maquiadas ao extremo com bases em tom nada a ver com elas. São parecidas e divertidas. Tem aquelas zarabatanas tatuadas no lugar das sobrancelhas, cabelos curtinhos, olhos pretos e vivos; bocas vermelhas quase sem forma, uma usa camiseta cinza e calça preta e a outra exatamente o inverso. Quase uma dupla boba de música popular. Uma está grávida e três pessoas a sua frente fingem dormir a dar lugar para ela sentar-se com o rebentinho aconchegado na barriga. Estamos no trem não muito cheio em São Paulo, linha Esmeralda.
Mulher 1 - Deus me defenda, todo dia Lucas vive socado naquele celular. Pra cima e pra baixo. Um dia afogarei no tacho aquela porcaria. Ele fala que é aplicativo.
Aplicativo, aplicativo; que droga de aplicativo é esse? Deixa ele, que se o pai dele não der jeito, eu dou. Sento a mão. Não faz nada o moleque.
Mulher 2 - Mas é a juventude. Menino sem celular fica até doente. Meu Pierre tem o dele.
Mulher 1 - Espia só. Só moleque que nada. Todo mundo nessa droga de aplicativo. Olha aí no trem, ninguém tá vivo. Tá tudo encurvado como uma chaleira. Depois reclama da coluna.
Mulher 2 - É mesmo, né? O que será que tanto vê? Outro dia tinha um besta cantando sozinho. Uma voz horrível e uma música que ninguém entendia. E ficam vendo novela, filme, sei lá.
Mulher 1 - Lucas falou que é série.
Mulher 2 - Fora de série, isso sim!
Uma gargalhada sonora ecoou e alguns olhares.
Mulher 1 - Pra mim, deve ser safadeza. Lucas não me engana. Fica de namorinho, risinho e fica bravo quando eu quero ver.
Mulher 2 - Pierre não! Ele põe os fones de ouvidos e fica igual aquela lá. Espia. Tá dormindo com fones de ouvidos. "Dorme nenê que a Cuca vai pegar..."
Mulher 1 - Rereré. Tomara que pegue mesmo. Você viu a novela ontem?
Mulher 2 - Eu não. Fiz mistura pra marmita de hoje.
Mulher 1 - Tá vendo? Se ficasse no aplicativo ia comer na rua. Coxinha.
Mulher 2 - Eu hein. Meu filho pede comida. Ele ronca.
Mulher 1 - Oxe! Quem ronca é você fominha. Quem não te conhece que te compra.
Mulher 2 - Rereré. Vem mulher, chegou a estação. Dá licença!
- quase gritou para um garoto cabeludo vendo algo no celular.
Ainda vi as duas caminhando em dois tons e a porta se fechou.
Pensei: Interessante esse tema e saquei meu celular.
...
"Chove lá fora agora."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Poesia minha - linha do tempo

Linha do tempo
E lá se vão...
Os acordes de Sampa,
Os confetes dos salões
Ou os brilhos caídos na avenida,
Os ossos quebrados,
As homenagens às mulheres,
O outono,
Os pulos de um tal Coelho
De chocolate,
As espinhas dos pescados,
De Tiradentes ninguém lembra,
E lá se vão...
Os trabalhadores
Porque o trabalho, balela,
As mães não vão, estão.
O tempo vai...
Se era namoro virou casamento
Ou lá se foi...
O inverno foi.
As guloseimas das quermesses também,
E lá se foram as férias escolares,
Os pais não vão, chegam.
Um dia fomos livres, foi!
A primavera veio, floriu e foi...
E lá se vão as crianças,
Os professores,
Os mortos,
A valorização da raça negra.
E o verão está aí, indo...
E já não tem peru
E daqui uns dias nem champanhe mais.
Mas lá vem vindo uma vontade
De que tudo melhore!
Deixa ela vir.
Deixa!

Cronicas no olhar - $ 10,00 o quilo

$ 10.00 o quilo.

Nabisca era fechada com ela mesma na solidão, mas na frente dos outros era popular, moderninha e de boa ética.
Jocasto era um brigador social, uma vírgula contrária já enervava e vinha textão à exaustão. Chato.
Bolivar não sabia onde era a Bolívia e o Brasil. Pra cá veio e aqui...trabalha.
João Antônio era o típico gerente de meia pataca. Só esperando a aposentadoria chegar. Ria pra quem achava ser de interesse e maltratava todos os menores aprendizes risonhos.
Maria achava a humanidade esquisita. Na cabeça dela como poderia o peixe vivo viver fora da água fria? Não se encaixava naquilo e já planejava sua demissão. Tinha olhos pretos e grandes.
Jarbas olhava para todos os rapazes e nunca era notado. Entre seus amigos dizia que paquerava os "bofes" todos.
Marques era segurança desses que usam terno alinhado e cabeça raspada. Cara de mal. Mas era um flor. Carnívora!
Betânia não tinha nada da cantora baiana. Nem de longe. Era boazinha demais. Sofria com isso porque queria ser má. Tomava remédios à esmo. Dorflex era chiclete.
Todos se encontraram dentro do elevador daquele prédio enorme coberto pelo sol escaldante. Ninguém falou com ninguém. Apenas eles e seus celulares penúltima geração.
E a cada desembarque uma baforada luxuosa.
Sobrou Bacalhau, que ninguém viu e que nem celular tinha.