domingo, 15 de janeiro de 2017

Making off de fotos AKEPHALOS - Leitura Dramática Radiofônica / dez 2016



Ackephalos é um projeto que fui convidado posteriormente à grande discussão de criação dele pelos atores Jeff Gennaro e Clóvis Ribeiro.
Jeff, grande parceiro, me apresentou o texto e algumas lidas depois, conversei com ele sobre a importância do tema e resgatar a antiga ideia poderia ser uma bela obra. Clóvis, radialista, músico, ator e um dos mentores do projeto foi me apresentado e juntos fizemos esse trabalho que intitulamos - leitura radiofônica dramática, realizada na Rádio Cidadã.

Muito interessante passar por isso. Muito mesmo!

Renate Varella, fez esse making off do processo que dará um bom caldo no ano de 2017.

Evoé amigos! Vamos que vamos que Acképhalos pede passagem.

sábado, 15 de outubro de 2016

Poesia minha - Hamlet

Hamlet

se...não sei...quase...sei...será...que...não sabe?...será?...
sei...que não sei...se sei?...saberei!...
rei....

Poesia minha - falta do que fazer



Falta do que fazer

Assombra a sombra assombrada na calçada
Assombrada assombra a calçada na sombra
A calçada assombrada assombra a sombra
sombra calçada assombra a assombrada
e sobra a sombra.....
e sobra...
a sombra
amarelada..........memórias......

Poesia minha - o chapa

O chapa

Frio
Sol
Manhã marinada
Brisa ensolaradaPlaca desconcertadaLetras desarranjadas em placaMadeiradaLaminadapapelãoNão tem recolocaçãoTrabalho não


Espera....


Passará um caminhão
O destino de quem chega
Pode melhorar
Se você me contratar
Por hora ou até descarregar
Das janelas dos automóveis
Me vêem sentado, em pé,
nunca deitado


Espero....


No sol, no dia, no dia, no dia, no tempo
Sou eu, prazer!
O chapa!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Kultme 34 - Domingos Montagner e o palhaço em nós


Domingos Montagner e o palhaço em nós


montagner
Nesse mês de Setembro de 2016 fomos acometidos de uma notícia péssima, em âmbito nacional, sobre a trágica morte do ator Domingos Montagner no Rio São Francisco, em Sergipe, por afogamento em frente a sua parceira de cena na novela “Velho Chico”, a atriz Camila Pitanga. Em poucas horas o comentário do sumiço do ator invadiu as praias da internet e, tristemente, oficializada a morte algumas horas depois.
Eu fiquei sabendo já no final da tarde deste dia, pela internet mesmo por uma amiga que escreveu num desses grupos que são criados para “guetear” mais as pessoas – inclusive eu – com a seguinte indagação: “Vocês viram o sumiço do ator?”. Fiquei intrigado, pois sou das artes, e fui verificar. Levei um tremendo baque com a história toda que descobri naquele momento, que me remeteu à alguns anos atrás quando pude ter a sorte de ver um espetáculo da Cia La Mínima, com Domingos Montagner e Fernando Sampaio (À la carte, direção do italiano Leris Colombaiani).
Os dois atores eram “incomuns” em cena. Era de uma comunicação, que chegava ao público com uma delicada dose de emoção, fazendo os poros da pele se abrirem. Eu estava começando na lida do fazer teatral e aquele momento foi um forte impulso à minha vida no teatro. Conheci eles ali, naquele contexto, e o carinho de Domingos e Fernando com a plateia foi ímpar! É ímpar! Será ímpar! Percebem que o baque, quando da notícia, tem um sentido? Pois fiquei a semana inteira triste com a morte de Montagner. Tocado mesmo. Tirado daqui e levado para o lado de lá para olhar sem ser visto!
cia-la-minimaA história da Cia La mínima começou lá no Circo Escola Picadeiro, em São Paulo, sob a batuta do mestre Roger Avanzi, o palhaço Picolino, que já trazia a arte do palhaço como mote. Em 1997, juntos – Domingos e Fernando – a Cia La Minima foi oficializada e daí começaram a trabalhar o palhaço na figura das acrobacias circenses recheadas de elementos do humor e o corpo físico. (Domingos teve aulas com Rute Rachou e Denilto Gomes, na dança coreográfica). À partir daí, o palhaço e a palhaçaria seriam a maior qualidade da Cia, que teve uma trajetória magnífica, com diretores importantíssimos que tinham o palhaço e o humor como ferramenta de estudo e convidados especiais em alguns espetáculos. Uma receita simples de dois caras simples com propósito grande – a arte do palhaço como agente comunicador.
Domingos Montagner acabou chegando à TV, local onde ficou nacionalmente conhecido, em 2008, pelo seriado Mothern, da GNT (canal fechado) e na novela Cordel Encantado (TV Globo, canal aberto) e de lá pra cá, foi alçado ao posto de galã maduro em inúmeras produções. Um belo homem no imaginário das pessoas, porém, ele foi muito mais que isso: amava a sua arte – a do ator – acima de tudo. E se entregava a ela. Fatalmente, num desses trabalhos, perdemos Domingos. Mas que fique na nossa memória, o seu trabalho, sua integridade e a sua dignidade de tratar a arte como um belo bebê de colo, que sempre cresceu em suas mãos.
E esse trágico fato trouxe ao público a figura do palhaço. Palhaço como arte! A palhaçaria em nós. O clown! E ser clown é coisa muito séria!
clownHá diferentes tipos de clowns: vou aqui citar o branco e o augusto. O branco é aquele que se intitula o mandão, o poder, o chefe. Oprime por sua ação o augusto, que é aquele clown tido como mestre da ingenuidade, bobalhão, sem noção, o manipulado pelo clown branco. Ocorre que o branco, por sua vez, demonstra o seu lado fraco e dando canja ao augusto para demonstrar a sua genialidade perante a vida. Esse conceito do lado fraco (ridículo) e do forte (genialidade), uma alusão ao cômico e ao trágico acentua a percepção das emoções, perfazendo uma história. Partindo desse prisma, temos parâmetros para entender as relações sociais. Façam as comparações aos líderes e opositores, aos parceiros de gags, aos seus amigos e compatriotas, ao Homem e tirem suas conclusões. No cinema o clown apareceu sempre: Charles Chaplin, Lucille Ball, Buster Keaton, Jerry Lewis, Oscarito, Grande Otelo, Jim Carrey, Jacques Tati, Groucho Marx, entre outros. Na TV, não podemos esquecer de Roberto Bolaños.
Clown é uma linguagem artística que transgride os valores da Humanidade, seja pelo riso, seja pela tristeza, seja pela inadequação frente a qualquer coisa. Mas é arte! E das boas!
Domingos, sem saber, trouxe à tona o palhaço que há em nós.
Lembro-me sempre de uma entrevista que ele deu à um jornal de São Paulo: “Que os diretores se concentrem na direção de seus espetáculos e deixe que o público aplauda de pé, sentado ou mesmo vaie. Mas vá!. Não existe teatro sem público e com ele, o artista deve se comunicar”. Já é um grande olhar sobre o poder da mídia que pensa que manda em quem lê o seu jornal, revista ou canal.
Ps.: Tô aqui escrevendo esse artigo e a televisão ligada em Velho Chico, onde transcorre a uma cena de Domingos Montagner, com Antonio Fagundes e Camila Pitanga, sobre olhar de outros atores. Ele abre os braços em direção ao Rio São Francisco em sinal de agradecimento. Tão linda e louca são os acontecimentos da vida!….pensei….

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Poesia minha - R de raça

R de raça

Macaca tem que ficar na jaula!
Palavras desonestas ferindo a vida
De uma atleta vitimada pela covardia indevida

A força que brota da decepção
Do golpe dito errado
Fortalece o caminho nascido
Da alma
Que descobriu no judô, seu partido

As palavras fizeram força
Equilíbrio, concentração e desafio
Finalmente, sua vitória
Rafaela
alegrou nossa nação, no Rio

Kultme 33 - João e o pé de...


João e o pé de…


televisaoUm jovem amigo me escreveu outro dia, pedindo indicação de uma escola de teatro. E ouvindo o bonito, senti o sonho e a vontade (jovem) dele como um abismo distante, mas não impossível.
O sonho de aparecer na TV, fazendo a Malhação ou a novela das 6,7 ou 8, ainda é o maior sonho dos jovens que querem se tornar ator. O problema é que o caminho para isso é um desconhecido total, até porque ele é árduo e não depende somente de fazer um “curso de interpretação para TV com aquele produtor que ninguém conhece”.
O mercado da interpretação para vídeo (TV, cinema, publicidade) é um grande barato! Mas cheio de caminhos, que podem ser espinhosos ou não. Para entrar nesse mercado, há de se ter um alto grau de sabedoria, talento, foco, sorte e amor à arte da interpretação.
Vou contar uma história…
“João se formou ator na escola técnica, tirou seu DRT e resolveu investir no mercado publicitário, porque diziam: ganhava-se muito dinheiro. Como fazer?” – pensou ele.
O primeiro passo foi tirar fotos com ótima qualidade, onde mostrasse sua personalidade e características físicas, com nada de corpo nu, pouca maquiagem, claridade, boa qualidade das roupas escolhidas para as fotos. (Muitas vezes, as roupas aparecem mais que o ator).
testeEm seguida, fez contato com agências e produtoras para agendar um horário para mostrar seu material. (Muitas vezes, nem vão agendar, porque vão falar que o perfil do João, já tem de montão). Se conseguir agendar, ótimo! Conseguiu! Agora João é cadastrado na Agência X. É importantíssimo que João não mude seu visual exageradamente, o diferenciando das fotos, porque a agente vai se basear naquelas fotos entregues.
Pintando um teste, João será chamado por telefone. Nesse momento, são listados todos os detalhes do comercial (tipo de produto, tempo de veiculação, valor do cachê, dia da (s) diária (s), entre outras. Tire todas as suas dúvidas João! Todas! Comprometimento é fundamental nessa hora: se João disser que vai ao teste, tem que ir! Uma falta injustificada pode tirá-lo do casting. Geladeira nele!
Compromisso firmado é compromisso FIRMADO!
Depois de esperar bastante, ter feito a claquete e gravado, pegar o seu cachê teste (sim, o cachê teste é obrigatório) e fazer o teste, o jeito é ir para casa e aguardar. Se for editado, ótimo. Cruzar os dedos e torcer para ser aprovado. Sendo aprovado, a agência vai ligar e confirmar para prova dos figurinos e o dia da gravação. Depois, só esperar dias para receber seu cachê. Se tiver nota fiscal, vai ganhar mais, se a agência lhe der a nota, vai perder uma porcentagem. Daí só conferir no veículo o trabalho realizado e esperar outro teste.
Outra opção é fazer figuração, mas esse tema vou tratar em outro artigo.
Algumas dicas para você, João…
O mercado publicitário enfrenta crise também.
moneyOs cachês são baixos. Sempre alie o cachê ao tempo de veiculação. Por exemplo: R$ 8000,00, veiculação de um ano, sai R$ 666,66 por mês. É muito? Não é muito pouco, porque seu rosto vai ficar estampado por 1 ano.
Não se espante se demorar para ser chamado, porque o Perfil é sempre um diferencial. Todos os atores serão escolhidos por perfil. Não se chateie por isso! Se demorar demais, dê uma ligadinha com educação.
Não é preciso puxar saco (embora tenha muitos). Mostre o seu potencial de trabalho, seu interesse, fotos sempre recentes, bom material (videobook, fotos), aperfeiçoamento em cursos, cortesia, educação e nunca demonstre que está precisando (rs). Mostre que você é sério e quer fazer um bom trabalho.
Quando uma agência negar o seu material, parta para outra. Já dizia Nelson Rodrigues: “A unanimidade é burra”.
Hoje existe uma tendência a “não atores”, “pessoas reais” para se fazer propaganda. Lastimável, haja vista que ser ator não é brinquedinho. Ser ator é estudo, amor, perseverança e talento.
Mas João quis prestar testes de cinema e foi procurar na rede social.
movieOs testes de cinema são mais fechados e quando eles acontecem, muitas vezes, são articulados pelos produtores do projeto com o diretor de casting que vai te achar nas produtoras. Alguns testes até já são publicados. Se for chamado, vá com vontade e garra. Relaxe o melhor que puder. No cinema, é interpretação naturalista, então é muito importante olhar, verdade interior, sutileza. Se o ator piscar demais, vai ser difícil. Quando o diretor disser “obrigado”. Agradeça e saia. Simples assim. Aguarde um retorno. Se não passou, bola pra frente e parta pra outra.
Televisão é teste. Os comerciais são ponto de entrada, um bom agente vai ajudar muito. Mandar seu material e fazer seu cadastro nas emissoras de televisão. Olheiros podem te ver no teatro, nos curtas em vídeo, no cinema, nos comerciais, no youtube e te convidar para fazer teste. Não é o caminho tão fácil, mas é por aí. Também acontecem, os famosos amigos que indicam, os concursos de “programetes” sem pauta. Televisão, na maioria das vezes, é consequência de algum trabalho ou de um padrinho ímpar. Teste do sofá existe? Não posso confirmar nada, ainda não deitei num.
theaterAgora o grande barato disso tudo João, é que continue fazendo teatro. O teatro irá te dar uma liberdade de ofício, de criação. Com ele, você poderá dar aulas, oficinas, dirigir espetáculos, escrever, usar o youtube e criar seu canal com vídeos que expressem aquilo que você acredita. Sempre cobrando pelo seu trabalho. Não faça nada de graça, não se venda por nada. Tua formação foi paga com dinheiro e suor.
Tem que ser empreendedor. Tem que acreditar na sua arte. Alie a isso uma excelente dose de generosidade e parceria e seja feliz. Fazer qualquer coisa a qualquer custo não leva ninguém a lugar algum.
Com certeza, João, lá na frente, você dirá para você mesmo:
Putz, foi bom pacas!
Indicação
  • Livro para ler: O Último Artesão – Walter Avancini, de Ângela Britto
livroDepoimentos de atores e técnicos que trabalharam junto com Walter Avancini nas produções que tiveram a sua mão. Era rígido, porém, todos os artistas são unânimes ao exaltar seu perfeccionismo e sua importância na formação de suas carreiras.O livro também traz uma pequena biografia do diretor, e um detalhado histórico de seu trabalho.
Imperdível para amantes da televisão!
PS.: Tive ajuda de alguns amigos do ramo publicitário, que preferiram o anonimato. Afinal precisam trabalhar! Obrigado amigos!