O caos e o parto
Outro dia conversando com um amigo, discutíamos sobre o que está sendo feito no teatro, hoje, aqui no Brasil, que desperte o interesse das pessoas. O que nos fazia levar ao teatro? O tema, diretor, elenco, história, encenação ou simplesmente curiosidade. Chegamos em algumas possíveis respostas, mas uma única: Vá ver! Vá ter a sua sensibilidade acessada sobre a obra feita, seja de qual montagem for. Deixe a curiosidade nocautear os paradigmas criados. Permita-se! Desarme-se de argumentos seus e aproveite! Afinal de contas, é ano novo e pense em mudar o velho pensamento.
Em tempos de projetos novos, nossa capacidade de criatividade ou criação deve alcançar patamares suspensos. Eu sinto uma ânsia enorme quando penso num processo de criação de espetáculo, ruidosamente experimento, provoco, penso, modifico, os atores ficam em trânsito.
Portanto, deixar o umbigo de lado é primordial. Não no processo, que é uma máquina em funcionamento e merece ser amplo nos desdobramentos, mas sim no resultado final, que é o produto apresentado aos olhares externos. O público é nosso objetivo e o umbigo deve ser deixado enfaixado, pois a vida se desdobra na ruptura do cordão umbilical, no momento em que começamos a assumir nossa personalidade de viver. No teatro não é diferente. É uma gestação.
A ideia vem, fecunda, desenvolve, joga toda a gama de amor, dúvidas e ansiedades, provoca o caos. É o desenvolvimento. Na hora do parto, acompanhado do choro, há de surgir um belo e delicioso sorriso. Do público!
Happy new year !!!!!!
Indicação
Yerma é uma mulher que vive o drama de não poder conceber um filho. Busca de todas as formas engravidar e enfrenta a indiferença do marido, Juan, que não demonstra nenhum interesse em compartir da sua angústia. Imperdível tragédia de Federico García Lorca